Hospital Universitário Onofre Lopes participa de estudo internacional para tratamento de depressão grave em adolescentes
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Foto: Divulgação

O Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), está participando de um estudo internacional sobre uma nova alternativa terapêutica para adolescentes com Transtorno Depressivo Maior (TDM).

A pesquisa, que avalia a eficácia e a segurança da escetamina intranasal, busca oferecer uma resposta rápida para quadros agudos de depressão em jovens de 12 a 18 anos.

A equipe do Centro de Pesquisa Clínica do Huol, um dos seis centros brasileiros selecionados para o estudo, participou, em fevereiro, de um treinamento intensivo em Fort Worth, no Texas (EUA).

O encontro reuniu pesquisadores dos Estados Unidos e do Brasil que conduzirão o estudo, consolidando a padronização e a excelência necessárias para a pesquisa multicêntrica.

A pesquisa

O estudo é um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo psicoativo. A pesquisa investiga a administração da escetamina por via nasal, associada ao tratamento padrão com antidepressivos. De acordo com a sinopse do protocolo, estudos prévios já demonstraram que a medicação pode proporcionar uma rápida redução dos sintomas depressivos.

O coordenador do Centro de Pesquisa Clínica do Huol, o anestesiologista Wallace Andrino, destaca a relevância da pesquisa diante do preocupante cenário global. “A depressão em crianças e adolescentes apresentou grande crescimento nas últimas décadas. O suicídio está entre as principais causas de morte nessa faixa etária, configurando uma emergência psiquiátrica”, alerta. 

Segundo o médico, a grande inovação do estudo reside na velocidade de ação do medicamento. “Diferente das medicações tradicionais, que podem demorar de quatro a 12 semanas para fazer efeito, a medicação estudada tem rápido início de ação e é administrada por via nasal. Em um quadro agudo, essa agilidade pode ser determinante para reduzir os sintomas depressivos e o risco de suicídio de forma mais rápida”, explica.

O psiquiatra Walter Barbalho, investigador principal da pesquisa no Huol, reforça que o estudo parte de uma base sólida. “A molécula já é utilizada em adultos com segurança e eficácia comprovadas. Os psiquiatras já conhecem seu manejo e sabem o impacto positivo que ela pode ter, especialmente em pacientes com ideação suicida aguda. Agora, buscamos validar esse benefício também para adolescentes”, destaca.

Formação e inovação no ambiente acadêmico

A condução do estudo no Huol envolve uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, médicos, farmacêuticos, enfermeiros, residentes de psiquiatria, docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e egressos da instituição.

A residente em psiquiatria Lauanda Rocha, que integra a equipe, destaca o valor da experiência para a formação médica. “Participar de um estudo internacional durante a residência amplia horizontes e abre novas perspectivas. Além do aprimoramento técnico e do contato direto com a medicina baseada em evidências, essa oportunidade promove um crescimento pessoal imensurável”, conclui.

*Por Paulina Oliveira/Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh

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