Cinema itinerante sobre trabalho escravo chega à escola da zona rural do Rio Grande do Norte
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Foto: Divulgação/TRT RN

O projeto “Cinema Itinerante: a arte em movimento” chegou à zona rural da Grande Natal na segunda-feira (8), com a exibição do filme “Pureza” na Escola Estadual Prof. Ivonete Felipe, no distrito de Traíra, em Macaíba.

A ação, que percorre escolas públicas do Rio Grande do Norte, é uma iniciativa do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) e do Programa Nacional de Enfrentamento ao Trabalho Escravo e ao Tráfico de Pessoas e de Proteção ao Trabalho do Migrante.

O filme “Pureza”, dirigido por Renato Barbieri, narra a trajetória real de uma mãe em busca do filho aliciado para o trabalho escravo na Amazônia. O longa-metragem foi exibido para alunos do ensino médio da escola.

De acordo com a gestora regional do programa no TRT-RN, juíza Lygia Maria de Godoy Cavalcanti, é principalmente na zona rural que ocorre o aliciamento de mão de obra para o trabalho análogo ao de escravo em outros estados, com promessas enganosas de salário e de boas condições de trabalho.

“Esses alunos, no momento em que vivem essa realidade ao assistir ao filme, têm a percepção de que é uma situação não normal, com o conhecimento do que é o trabalho escravo, do que é o aliciamento”, explicou a magistrada.

Ela disse ainda que ficou muito feliz com a reação dos estudantes, que participaram da conversa conduzida por ela sobre o tema após a exibição do filme. “Eles podem, depois desse filme, começar a olhar com um olhar mais crítico para a própria situação em que estão vivendo.”

A diretora da escola, Rafaela Farias Nóbrega, explicou que os alunos vêm de toda a região, pois a unidade é a única que oferece ensino médio nas localidades próximas. “Pegamos muitos alunos que vêm dessa vivência do campo, de fazendas, de sítios. Temos também a presença de estudantes que vêm de uma comunidade quilombola chamada Capoeira dos Negros, que fica aqui próximo.”

Ela ressaltou ainda que a evasão escolar é expressiva, principalmente pela necessidade de trabalhar cedo em razão da precariedade da situação familiar. “Esses alunos, como eles já estão em idades de 15, 14, 16 anos, acabam indo para os afazeres das próprias terras familiares ou de fazendeiros vizinhos. Então, em casa, geralmente, ajudam os pais na lida do campo.”

Alguns desses adolescentes também deixam a escola por causa do circuito de vaquejadas. “Os meninos saem para ser tratadores de animais, para ser locutores da região.”

Além da explicação da juíza sobre a importância do combate ao trabalho escravo, ao trabalho infantil e à exploração sexual, a programação teve dinâmicas educativas e distribuição de cartilhas.

Fonte: TRT RN

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