A Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), em uma iniciativa conjunta com a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) e a Liga Norte Riograndense Contra o Câncer, além de diversas outras entidades médicas e de saúde, lança a campanha nacional “Março Azul-Marinho”.
O movimento tem como objetivo primordial intensificar a conscientização sobre o câncer colorretal, uma patologia que, lamentavelmente, se consolida como o segundo tipo de câncer mais incidente no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma.
Dentro desta campanha, destaca-se o Dia Nacional de Combate ao Câncer Colorretal, celebrado em 27 de março. Esta data é um marco fundamental para reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de intestino (cólon e reto).
No Rio Grande do Norte, a mobilização ganha força com a adesão de importantes clínicas e centros de saúde. No dia 07 de março, em várias clínicas da especialidade médica, acontecerá um mutirão, principalmente em Natal e Caicó, quando exames preventivos serão realizados, reforçando o compromisso local com a saúde e a prevenção. Também será um dia de esclarecimento dedicado a chamar a atenção dos pacientes para a relevância do exame de colonoscopia.
Um Panorama Alarmante: Dados e Projeções do Câncer Colorretal
O câncer colorretal, que abrange tumores que se desenvolvem no cólon e no reto, representa um desafio significativo para a saúde pública brasileira. Segundo as estimativas mais recentes disponíveis do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que projetam a incidência de câncer no país, a expectativa para o triênio 2023-2025 indicava mais de 45 mil novos casos anualmente no Brasil. Projeções para 2026, baseadas nas tendências observadas, indicam que a doença continuará a figurar entre as principais causas de morbidade e mortalidade por câncer, evidenciando a urgência de campanhas de detecção precoce e prevenção. Nas últimas décadas, houve um aumento na incidência da doença, especialmente em faixas etárias mais jovens, sublinhando a necessidade de atenção contínua e ampliada.
Reconhecendo sintomas e a importância do diagnóstico precoce
A identificação precoce dos sintomas é fundamental para o sucesso do tratamento do câncer colorretal. No entanto, em suas fases iniciais, a doença pode ser assintomática ou apresentar manifestações sutis, o que reforça a importância dos exames de rastreamento. Os principais sintomas que devem acender um alerta incluem:
- Alteração persistente no hábito intestinal (diarreia ou constipação que não melhora).
- Presença de sangue nas fezes, que pode ser vivo, escuro ou misturado.
- Dor ou desconforto abdominal frequente.
- Perda de peso inexplicável.
- Anemia sem causa aparente, resultando em fadiga e fraqueza.
- Sensação de evacuação incompleta.
Ao notar qualquer um desses sinais, é imprescindível buscar avaliação médica imediata.
Prevenção e fatores de risco:
Muitos casos de câncer colorretal podem ser evitados através da adoção de um estilo de vida saudável e da realização de exames de rastreamento.
- Dieta balanceada: Consumo abundante de fibras, presentes em frutas, verduras, legumes e grãos integrais. Redução do consumo de carnes vermelhas e processadas (linguiça, salsicha, presunto, bacon).
- Atividade física regular: A prática de exercícios físicos contribui para a manutenção de um peso saudável e para o bom funcionamento do intestino.
- Controle de peso: A obesidade é um fator de risco comprovado para o câncer colorretal.
- Abstinência de tabagismo e álcool: O tabaco e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas aumentam significativamente o risco da doença.
- Rastreamento regular: Para a população em geral, a colonoscopia é o exame padrão ouro de rastreamento, recomendada a partir dos 45-50 anos de idade, ou mais cedo para indivíduos com histórico familiar ou outras condições de risco.
Fatores de risco comportamentais e clínicos:
- Idade: O risco aumenta consideravelmente após os 50 anos.
- Histórico familiar: Pessoas com parentes de primeiro grau que tiveram câncer colorretal ou pólipos intestinais têm maior risco.
- Doenças inflamatórias intestinais: Condições como doença de Crohn e retocolite ulcerativa aumentam o risco.
- Síndromes hereditárias: Polipose adenomatosa familiar e câncer colorretal hereditário sem polipose (síndrome de Lynch) são condições genéticas que elevam drasticamente o risco.
- Dieta inadequada: Alto consumo de carnes vermelhas, processadas e baixa ingestão de fibras.
- Sedentarismo, obesidade, tabagismo e alcoolismo.
A campanha Março Azul-Marinho ressalta a importância da informação e da iniciativa individual na proteção contra o câncer colorretal.
Para a Dra. Verônica Vale, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) – Regional RN, a mensagem é clara: “A detecção precoce é o nosso maior aliado na luta contra o câncer colorretal. Não podemos esperar que os sintomas apareçam; a prevenção e o diagnóstico em fase inicial são cruciais para aumentar significativamente as chances de cura. O Março Azul-Marinho é um convite para que todos cuidem da sua saúde intestinal, busquem informações qualificadas e, acima de tudo, conversem com seus médicos sobre os exames de rastreamento adequados à sua faixa etária e histórico.”
A campanha Março Azul-Marinho reforça o compromisso das entidades envolvidas em salvar vidas e melhorar a qualidade de vida da população brasileira através da conscientização e do incentivo à prevenção.

