Cafeicultura avança no RN e consolida nova fronteira agrícola no semiárido

Com apoio técnico e foco em qualidade, produtores potiguares investem no cultivo de cafés robusta e arábica em diferentes regiões do estado

Foto: cedida

O Rio Grande do Norte, historicamente associado ao clima semiárido, começa a desenhar uma nova fronteira agrícola: a produção de café. Com áreas comerciais já implantadas em regiões como Mato Grande, Trairi, Serra de Santana e Alto Oeste, produtores potiguares avançam no cultivo de cafés robusta e arábica em municípios que, até pouco tempo atrás, estavam fora do mapa nacional da cafeicultura.

Iniciado oficialmente em 2026, o Projeto Cafés do RN, desenvolvido pelo Sebrae-RN, saiu da fase experimental e já reúne produtores em processo de expansão produtiva, alguns com áreas superiores a dois hectares e previsão das primeiras colheitas entre 2026 e 2028.

O movimento contempla municípios como Ceará-Mirim, Maxaranguape, São Miguel do Gostoso, Lagoa Nova, Portalegre e Jaçanã.

A proposta vai além da implantação de lavouras. O trabalho busca estruturar, desde a origem, uma cadeia produtiva organizada, com foco em sustentabilidade, assistência técnica, qualidade e fortalecimento territorial. O projeto envolve agricultores familiares, consultorias técnicas contínuas, articulação com universidades e validação de variedades adaptadas às condições climáticas do estado.

O avanço da cafeicultura potiguar ocorre em um cenário de valorização crescente do setor no país. O Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio, foi instituído justamente para marcar o início da colheita nas principais regiões cafeeiras brasileiras.

Inovação no café

Enquanto as principais regiões produtoras do país foram consolidadas ao longo de décadas, o Rio Grande do Norte aposta no planejamento da cadeia ainda em sua fase inicial, criando bases para uma produção com identidade própria e potencial de diversificação econômica para o interior potiguar.

Atualmente, o projeto contabiliza dezenas de produtores acompanhados tecnicamente e áreas em implantação e expansão que somam quase 27 hectares de café robusta e arábica no estado. Segundo Elton Alves, gestor do Projeto Cafés do RN do Sebrae-RN, o trabalho desenvolvido vai além do incentivo à produção.

“O que estamos construindo hoje no Rio Grande do Norte é muito maior do que um projeto de incentivo ao cultivo de café. Estamos estruturando as bases de uma nova cadeia produtiva para o estado”, destaca.

De acordo com ele, o setor ainda está em fase inicial, com muitos desafios, mas já apresenta sinais consistentes de viabilidade e crescimento. “O papel do Sebrae-RN tem sido justamente organizar esse ecossistema, conectar conhecimento técnico, promover capacitação e garantir que esse crescimento aconteça de forma estruturada e sustentável”, explica.

Fonte: rn.agenciasebrae

Deixe um comentário