Opinião: Entre lealdade e autonomia: embate entre Aize e vice escancara tensão no governo
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Foto: reprodução/rede social

A crise pública entre a prefeita Aize Bezerra e seu vice, Holderlin, escancara uma tensão recorrente nas gestões municipais: até onde vai a fidelidade política e onde começa a autonomia institucional de um vice-prefeito eleito.

Ao rebater declarações do seu vice, Aize adota um tom de cobrança que sugere mais do que simples divergência — aponta para um incômodo com atitudes que, na sua avaliação, destoam do compromisso com a gestão. A crítica ganha contornos mais duros quando a prefeita classifica como incoerente a participação em agendas institucionais seguidas de movimentações políticas em outros polos.

Mas há um ponto que não pode ser ignorado: Holderlin não é um auxiliar nomeado, e sim um vice-prefeito constitucional, eleito junto com a chapa. Seu papel, embora muitas vezes esvaziado na prática, carrega legitimidade própria. Excluí-lo — ainda que simbolicamente — de eventos oficiais pode ser interpretado não apenas como gesto político, mas como um sinal de fragilidade na condução institucional da própria gestão.

Nesse cenário, o erro pode estar nos dois lados. De um lado, um vice que aparentemente busca construir trajetória política própria, ainda que isso implique tensionar a relação com o Executivo municipal. De outro, uma prefeita que reage priorizando o alinhamento político em detrimento da liturgia do cargo.

A pergunta que fica é incômoda, mas necessária: a gestão pública deve ser conduzida como um projeto coletivo institucional ou como um espaço condicionado à fidelidade política irrestrita?

Quando divergências internas ganham as ruas, o prejuízo não é apenas de imagem — é de governabilidade. E, no fim das contas, quem paga essa conta é a população.

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