Polícia Civil deflagra “Operação Última Ceia” contra grupo investigado por extorsão, agiotagem e associação criminosa no RN
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Foto: Secoms/PCRN

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou, nesta sexta-feira (20), a “Operação Última Ceia”, com o objetivo de cumprir quatro mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva contra dois homens, sendo um empresário e um policial militar, investigados pela prática dos crimes de extorsão, usura (agiotagem) e associação criminosa.

As prisões ocorreram no município de São José de Mipibu, na Região Metropolitana de Natal, e no bairro Lagoa Nova, Zona Sul da capital. A operação contou com a participação da Polícia Militar do Rio Grande do Norte.

As investigações apontam que o grupo atuava na cobrança violenta de dívidas oriundas de empréstimos informais, impondo às vítimas não apenas o pagamento de valores supostamente devidos e juros abusivos, mas também a exigência de quantias adicionais relacionadas a alegados prejuízos financeiros decorrentes da “Operação Amicis”, deflagrada pela Polícia Civil em 25 de junho de 2025.

A ação anterior teve como foco o combate a um esquema milionário envolvendo empresários, influenciadores e contadores, ocasião em que foram cumpridos 53 mandados de busca e apreensão em Natal e cidades da Região Metropolitana.

No contexto dessas investigações, um dos investigados teve bens apreendidos por suspeita de envolvimento com associação criminosa e lavagem de dinheiro, passando, a partir de então, a tentar transferir esse suposto prejuízo às vítimas, mediante grave ameaça e coação.

De acordo com o apurado no inquérito policial, a atuação do grupo evoluiu para um cenário de terror psicológico contínuo, com práticas reiteradas de intimidação. As vítimas, algumas delas também alvos da “Operação Amicis” na condição de investigados, passaram a ser monitoradas em sua rotina diária, inclusive com levantamento de informações sobre horários e deslocamentos de crianças e adolescentes, configurando grave violação à segurança familiar.

Também foram registrados episódios de vigilância constante nas residências e nos condomínios das vítimas, com rondas frequentes e monitoramento nas proximidades. Em uma das situações apuradas, foi deixado um bilhete ameaçador no sapato de uma das vítimas, reforçando o contexto de perseguição e intimidação sistemática.

Em dois endereços vinculados ao empresário, localizados no bairro Lagoa Nova, foram apreendidos valores em moeda nacional e estrangeira, incluindo aproximadamente 7.535 dólares norte-americanos, 700 euros e R$ 12.700 em espécie, totalizando cerca de R$ 55,7 mil.

Além disso, foram apreendidos cinco veículos, com destaque para um dos automóveis utilizados nas ações de intimidação contra as vítimas, o qual foi registrado em imagens durante as práticas criminosas. O material apreendido será analisado no curso das investigações, com o objetivo de aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira do grupo criminoso.

Um dos investigados é sargento da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e possui histórico de envolvimento em crimes graves. Ele já havia sido preso durante a “Operação Caronte”, deflagrada pela Polícia Civil em maio de 2024, por suspeita de participação em grupo de extermínio e homicídios, além de possuir registro anterior de prisão pelo crime de peculato, em razão da subtração de arma de fogo pertencente à corporação. Na ação realizada nesta sexta-feira (20), o militar foi autuado em flagrante, desta vez pelo crime de posse ilegal de arma de fogo.

A ação contou com a participação de cerca de 70 policiais civis. Durante as diligências, houve o apoio do Canil da PCRN, com a atuação das cadelas Aika — responsável por localizar um aparelho celular pertencente a um dos investigados — e Luna, que também auxiliou nas buscas realizadas ao longo da operação.

O nome da operação, “Última Ceia”, faz referência a um elemento simbólico identificado no curso das investigações. Um dos investigados se autointitulava como “escolhido de Jesus” e, em uma das ações de intimidação, foi encontrado sentado à mesa do café da manhã na residência de uma das vítimas, sem qualquer autorização, evidenciando a imposição de terror psicológico.

A Polícia Civil reforça a importância da colaboração da população e solicita que informações anônimas sejam repassadas por meio do Disque Denúncia 181.

Fonte: PCRN

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