Huol-UFRN/Ebserh promove programação especial na Semana do Sono 2026 para conscientizar sobre a importância de dormir bem
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Foto: Divulgação

Entre os dias 13 e 19 de março acontece a Semana do Sono 2026, um movimento global realizado em alusão ao Dia Mundial do Sono, dedicado à conscientização sobre a importância do descanso para a saúde física e mental.

Para marcar a data, o Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), preparou uma agenda especial com atividades educativas e científicas direcionadas à população e aos profissionais de saúde. 

Marcada para os dias 18 e 19 de março, a programação é organizada pelas clínicas do sono Ambsono, responsável pela avaliação diagnóstica e pelo tratamento de diferentes transtornos do sono, e Simsono, serviço especializado na avaliação e no tratamento de distúrbios respiratórios associados ao sono.

A iniciativa conta com a participação de profissionais das áreas de psicologia, psiquiatria, otorrinolaringologia, fonoaudiologia, fisioterapia e cardiologia, além de professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que atuam em ensino, pesquisa e assistência nas áreas de sono, educação e saúde. As atividades seguem o tema da campanha deste ano: “Durma bem, viva melhor”. 

Segundo a coordenadora do Ambsono do Huol/Ebserh, Katie Almondes, o sono desempenha funções biológicas fundamentais para o organismo. “O sono não é apenas um estado de repouso das atividades, é um estado metabólico ativo e essencial. Ele funciona como uma faxina biológica e um sistema de manutenção para o corpo”, explica. 

De acordo com a especialista, durante o sono ocorre a restauração cerebral, quando o sistema glinfático ajuda a remover toxinas acumuladas no cérebro, como a proteína beta-amiloide, associada ao Alzheimer. Nesse período também acontece a consolidação da memória, momento em que o cérebro processa as informações aprendidas ao longo do dia e descarta conteúdos irrelevantes. 

“O sono também atua na regulação hormonal, controlando hormônios ligados à saciedade e ao crescimento. Dormir mal é um caminho direto para o ganho de peso e para a resistência à insulina”, destaca. Ela acrescenta que a qualidade do sono influencia diretamente o sistema imunológico e o equilíbrio emocional. “Uma única noite mal dormida pode reduzir a produção de células naturais de defesa. Além disso, transtornos do sono favorecem sintomas depressivos e ansiosos, irritabilidade e podem afetar as relações sociais”. 

Atividades interativas com o público

No dia 18 de março, o Huol/Ebserh realizará uma ação no hall de entrada do hospital, voltada para pacientes, familiares e cuidadores que circulam pela unidade. Uma das atividades será “O Mural dos Sonhos”, um painel interativo no qual os participantes poderão colar post-its respondendo à pergunta: “O que está roubando seu sono hoje?”.

A proposta é reunir percepções e experiências da comunidade hospitalar, contribuindo para identificar fatores que interferem na qualidade do descanso e orientar futuras iniciativas de cuidado e orientação clínica. 

Outra atividade será o “Tribunal do Sono”, um jogo educativo inspirado na dinâmica “Mitos vs. Verdades”. Nele, os participantes serão convidados a avaliar hábitos cotidianos relacionados ao descanso, classificando-os como benéficos ou prejudiciais ao sono. A dinâmica utiliza placas nas cores verde (inocente) e vermelha (culpado), estimulando a reflexão sobre comportamentos que podem comprometer o repouso. Ao final da participação, os visitantes terão acesso a um QR Code que direciona para uma playlist de relaxamento, com conteúdos voltados à promoção de um ambiente favorável ao sono.

Tecnologia, monitoramento e ortossonia

Encerrando a programação, no dia 19 de março será realizado um Simpósio Interdisciplinar reunindo especialistas em psicologia, cardiologia, psiquiatria, neurologia, otorrinolaringologia e pneumologia. O encontro terá como tema “Quem controla seu sono: você ou a tecnologia?”, discutindo como as tecnologias de monitoramento do sono podem auxiliar na avaliação clínica. 

Segundo Katie Almondes, uma das propostas do debate é justamente refletir sobre os limites dessas ferramentas. “As temáticas visam humanizar o dado. A finalidade principal é desmistificar a precisão absoluta dos gadgets e alertar para o paradoxo do monitoramento”, explica. 

Ela ressalta que é importante diferenciar estimativas feitas por dispositivos eletrônicos de diagnósticos clínicos. “Precisamos discutir os limites técnicos e diferenciar o que é um diagnóstico clínico, como uma apneia detectada em polissonografia, de uma estimativa de smartwatch”, afirma. 

Outro ponto de atenção é a ortossonia, termo utilizado para descrever a busca obsessiva por um “sono perfeito”, motivada pelo monitoramento constante por dispositivos digitais. “Queremos educar o público sobre o perigo de tentar ‘hackear’ o sono. Esse comportamento pode gerar um estado de hipervigilância que impede o relaxamento necessário para dormir”, alerta. 

Para a especialista, a melhor estratégia ainda está nos hábitos cotidianos. “O sono é um processo biológico ancestral que responde melhor a hábitos saudáveis de higiene do sono do que a gráficos complexos”, finaliza. 

Por Aline Freitas, com edição de George Miranda/Coordenadoria de Comunicação Social

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