Rio Potengi se torna sala de aula para adolescentes atendidos pela Fundase/RN
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Fotos Isabela Santos

O olhar para o Potengi mudou de direção. Sempre visto da perspectiva de uma das pontes que ligam as zonas Sul e Norte de Natal, adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de semiliberdade tiveram a oportunidade de passar por dentro das águas que dão nome ao Rio Grande do Norte.

O Casemi Nazaré – unidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fundase/RN) – realizou, na quinta-feira (22), passeio educativo no catamarã Chama Maré, do programa Barco Escola do Rio Grande do Norte.

A iniciativa do Governo do Estado do Rio Grande do Norte foi instituída por meio do Decreto Estadual nº 34.695/2025 e é desenvolvida pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), em parceria com a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Uern) e a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação do RN (Funcitern).

Nenhum dos quatro jovens participantes conhecia o percurso do rio nem as histórias que o margeiam. Os monitores transformam o estuário em espaço ativo de ensino e o caminho estimula o diálogo sobre a fundação de Natal, ao passar por diferentes e importantes edificações da capital potiguar.

Um dos adolescentes foi surpreendido pela visão panorâmica da cidade, especialmente das igrejas de Nossa Senhora da Apresentação (a mais antiga da cidade), de Santo Antônio (do Galo), de São Pedro, e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. “Eu só conhecia o rio de cima da ponte”, disse.

Ainda quanto aos aspectos históricos, mitos como o de Papa-figo, como chamavam de forma pejorativa a Viúva Machado, também foram mencionados, com a visualização da casa onde viveu. Embarcações no Cais Tavares de Lira e no Porto ensejaram a exposição de dados sobre as exportações de açúcar, frutas e pescado.

Gamboas, comunidades ribeirinhas, manguezais e toda a biodiversidade que preservam também foram temas da aula, já que o programa tem como foco promover a educação ambiental viva e a cidadania.

O conhecimento interdisciplinar foi intercalado por uma playlist de música potiguar, o que tornou o passeio não apenas educativo, mas também prazeroso. “Muito top. Faria de novo. Em alguns momentos eu me concentrava na água e na paisagem só pra curtir”, relatou outro adolescente ao desembarcar no Iate Clube de Natal.

Além da equipe de técnicos e agentes socioeducativos, os socioeducandos compartilharam a viagem com famílias da comunidade externa que haviam reservado a aula no mesmo horário.

“Foi uma experiência pedagógica e social muito positiva, por proporcionar uma vivência real, e não apenas teórica, além de fortalecer a convivência em espaços comunitários com responsabilidades. Para a medida, a atividade desperta um olhar diferenciado sobre a responsabilização. Esperamos que a adesão deles a atividades como essa continue, especialmente por ter sido acolhida de forma excepcional pelos socioeducandos que participaram”, avaliou a gerente do Casemi Nazaré, Flávia Santos.

A participação no projeto Barco Escola é gratuita para estudantes da rede pública, da educação básica ou superior. Para estudantes da rede privada e o público em geral, há uma contribuição financeira de R$ 10, destinada à manutenção das atividades. A capacidade varia entre 40 e 50 vagas por saída.

O projeto funciona de terça a sábado, com saídas às 8h, 10h e 14h30. As reservas devem ser feitas com, no mínimo, 72 horas de antecedência, por meio do formulário disponível no site projetobarcoescolarn.org. Considerando que as vagas são limitadas, o atendimento segue a ordem de inscrição.

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